Sobre o aparelho digestivo

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Boca

Boca

Aqui começa todo o complexo processo da digestão. O alimento é triturado através da mastigação e misturado à saliva, que contém enzimas que iniciam a digestão dos carboidratos.

Esta mistura de alimento mastigado e saliva é chamada de bolo alimentar. Para que este bolo passe para o esôfago (seja "engolido"), a língua e os músculos da faringe agem coordenadamente numa complexa seqüência de movimentos chamada de deglutição - que é iniciada sob nosso comando e completada por uma cadeia de movimentos involuntários controlados pelo sistema nervoso.

Esôfago

Esôfago

O esôfago é um órgão tubular com cerca de 20 cm de comprimento, cuja função é transportar o alimento ao estômago. Este transporte é feito através de movimentos peristálticos.

Na junção entre o esôfago e o estômago, há uma área de alta pressão que funciona como uma válvula. Esta válvula se abre automaticamente quando o bolo alimentar se aproxima, permitindo sua passagem ao estômago, e fica fechada no restante do tempo para impedir a volta de conteúdo do estômago para o esôfago (o famoso "refluxo").

Fígado

Fígado

O fígado, maior órgão do corpo humano com peso de cerca de 1.500 g, está localizado no lado direito do abdome, protegido pelas costelas inferiores. É responsável por mais de 5.000 funções mantenedoras da vida, produz a maioria dos "blocos de construção" utilizados pelo resto do corpo e remove substâncias danosas.

O fígado produz bile, que é transportada ao intestino delgado para ajudar no processo de digestão. Também produz proteínas, hormônios e enzimas que mantêm o corpo funcionando normalmente, assim como fatores de coagulação. Tem um papel no processamento do colesterol, manutenção da taxa de açúcares no sangue e no processamento de drogas.

Pâncreas

Pâncreas

O pâncreas é uma glândula mista (endócrina e exócrina) que derrama seu conteúdo enzimático no duodeno, colaborando com a digestão alimentar. Também secreta no sangue importantes hormônios que participam no metabolismo dos hidratos de carbono.

Função Exócrina

A porção exócrina do pâncreas ocupa a maior parte da glândula e consiste na síntese do suco pancreático - rico em bicarbonato, sódio, potássio, cloro, etc. Este é carregado de enzimas digestivas (sendo as principais a tripsina, a amilase e as peptidases) e passa pelos condutos excretores para o duodeno.

Função Endócrina

A porção endócrina do pâncreas representa de 1% a 2% do total do órgão e é composta de pequenas ilhotas dispersas de células (ilhotas de Langerhans). Os hormônios pancreáticos são a insulina, o glucagon, a somatostina e o polipeptídeo pancreático.

Estômago

Estômago

É um órgão em forma de saco, que tem funções mecânicas e químicas na digestão. As funções mecânicas são:

  • Reservatório de alimento: a parte superior do órgão relaxa sua musculatura, aumentando sua capacidade e acomodando o alimento que está chegando.
  • Mistura: a parte inferior, através de movimentos decorrentes da ação dos músculos de sua parede, mistura o alimento com o suco digestivo produzido pelo estômago.
  • Esvaziamento: é a liberação dos alimentos já parcialmente digeridos para o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Aqui o alimento se apresenta como uma massa de consistência semilíquida.

Suas funções químicas são:

  • Produção de ácido clorídrico, que age sobre todos os tipos de alimentos. A mucosa do estômago tem proteção especial contra este ácido, impedindo, em condições normais, que a mucosa sofra inflamações ou ulcerações.
  • Produção do pepsinogênio, que, em contato com o meio ácido do estômago, transforma-se em pepsina, enzima que digere proteínas.
  • Secreção do fator intrínseco, que permite a captação da vitamina B12 da dieta.
Vesícula Biliar

Vesícula Biliar

O que é a vesícula e o que ela faz?

A vesícula biliar é uma bolsa que se situa junto ao fígado e armazena bile, um fluido amarelo-esverdeado produzido pelo fígado. Após uma refeição, a vesícula libera a bile no intestino delgado, onde ela ajuda a digerir gorduras.

Cólon

Cólon

O intestino grosso é a última seção do tubo digestivo. Tem duas tarefas: absorve a água do material não digerido, originando assim as fezes; e as armazena até que elas sejam expelidas através do ânus.

O intestino grosso engloba o ceco, o cólon (absorção de água) e o reto (reservatório de matéria fecal).

Intestino Delgado

Intestino Delgado

O intestino delgado é um órgão tubular de aproximadamente 7 metros de comprimento, que serve para complementar a digestão dos alimentos e, principalmente, para promover sua absorção. O tempo que o alimento leva para percorrer todo o intestino delgado é de cerca de 12 horas.

O intestino delgado pode ser dividido em três partes: o duodeno, o jejuno e o íleo.

O duodeno é um conduto que tem continuidade a partir do piloro gástrico, sendo considerado como a primeira porção do intestino delgado. Seu revestimento mucoso, com muitas pregas, aumenta de forma importante a superfície de contato para maximizar as funções digestiva e de absorção intestinal.

No duodeno o intestino secreta substâncias importantes para a digestão, e nele desembocam os ductos que trazem os sucos digestivos produzidos pelo fígado e pelo pâncreas. É aqui que se completa a função digestiva, dando-se início, então, à aborção, quando o alimento, então, é impulsionado para a seguinda parte do intestino delgado - o jejuno.

As moléculas digeridas dos alimentos, como também a água e sais minerais, são absorvidos através da parede do intestino delgado. O material absorvido atravessa a mucosa ("pele" que reveste internamente todo o tubo digestivo), atinge as veias do sistema circulatório e é então levado a outras partes do corpo para ser armazenado ou sofrerem outras modificações químicas. Este processo varia de acordo com o tipo de nutriente - carboidratos, gorduras e proteínas (Nutrição).

A parte não digerida é levada ao intestino grosso.

O aparelho digestivo é formado por uma série de órgãos ocos que formam um tubo tortuoso e comprido que vai da boca ao ânus. O interior do tubo está revestido por uma membrana chamada mucosa. A mucosa da boca, estômago e intestino contém diminutas glândulas que produzem sucos que contribuem para a digestão dos alimentos.

Há outros dois órgãos sólidos com funções digestivas, o fígado e o pâncreas, que produzem sucos que chegam ao intestino através de pequenos canais. Ademais, alguns componentes de outros aparelhos e sistemas (p.ex. os nervos e o sangue) desempenham um papel importante no tubo digestivo.

Por que a digestão é importante?

Quando comemos alimentos como pão, carne e verduras, eles não estão em uma forma que o corpo possa aproveitar para nutrir-se. Os alimentos e bebidas que consumimos devem ser transformados em moléculas menores de nutrientes antes de serem absorvidos para o sangue e transportados às células de todo o corpo. A digestão é o processo mediante o qual os alimentos e bebidas se decompõem em suas partes mais pequenas para que o corpo possa usá-los como fonte de energia e para formar e alimentar as células.

Como os alimentos são digeridos?

A digestão compreende a mistura dos alimentos, sua passagem através do trato digestivo e a decomposição química das moléculas grandes em menores. Começa na boca, quando mastigamos, e termina no intestino delgado. O processo químico varia um pouco de acordo com a classe de alimento.

Passagem dos alimentos através do tubo digestivo

Os órgãos grandes e ocos do aparelho digestivo possuem músculos que permitem que suas paredes se movam. O movimento destas paredes pode impulsionar os alimentos e líquidos e misturar o conteúdo em cada órgão. O movimento típico do esôfago, estômago e intestinos se chama peristaltismo. A ação do peristaltismo se parece a uma onda do mar movendo-se pelo músculo. Começando na parte superior e movendo-se lentamente até a parte inferior do órgão, o músculo começa a contrair-se e relaxar-se. Estas ondas alternadas de contrações e relaxamentos empurram a comida e os líquidos através de cada órgão.

O primeiro movimento muscular importante ocorre quando ingerimos alimentos ou líquidos. A partir da deglutição, o processo se torna involuntário e está sob o controle de nossos nervos. A comida que acabamos de ingerir passa ao órgão seguinte que é o esôfago, que conecta a garganta ao estômago.

Na união do esôfago com o estômago há uma válvula em forma de anel que fecha a passagem entre os dois órgãos. Contudo, à medida que os alimentos se aproximam do anel fechado, os músculos que o formam se relaxam e permitem a passagem. Os alimentos então entram no estômago, que deve realizar três tarefas mecânicas. Primeiro, deve armazenar a comida e os líquidos ingeridos. Para isto, o músculo da parte superior do estômago deve relaxar-se e acomodar volumes grandes de material ingerido. A segunda tarefa é misturar os alimentos, os líquidos e o suco digestivo produzido pelo estômago. A ação muscular da parte inferior do estômago se encarrega disto. A terceira tarefa é esvaziar seu conteúdo lentamente ao intestino delgado.

Este último recebe a influência de vários fatores, como a natureza dos alimentos (especialmente o conteúdo de gorduras e proteínas) e o grau de atividade muscular do estômago e intestino delgado. À medida que os alimentos se digerem no intestino delgado e se dissolvem com os sucos do pâncreas, do fígado e do intestino, o conteúdo intestinal vai se misturando e avançando para a digestão adicional.

Finalmente, todos os nutrientes digeridos são absorvidos através das paredes do intestino. Os produtos de descarte deste processo compreendem partes não digeridas dos alimentos, conhecidas como fibras, e células velhas que se desprenderam da mucosa. Estes elementos são impulsionados até o cólon, no qual permanecem geralmente por um ou dois dias, até quando são expulsos como fezes durante a evacuação.

A produção dos sucos digestivos

As glândulas do sistema digestivo são de importância fundamental no processo da digestão, porque produzem tanto os sucos que decompõem os alimentos quanto os hormônios que controlam o processo.

As que primeiro atuam são as glândulas salivares da boca. A saliva que produzem contém uma enzima que começa a digerir o amido dos alimentos, transformando-o em moléculas menores.

O grupo seguinte de glândulas digestivas está na membrana que atapeta o estômago. Elas produzem ácido e uma enzimas que digere as proteínas. Um dos mistérios do aparelho digestivo é como o suco ácido do estômago não dissolve o próprio tecido estomacal. Na maioria das pessoas, a mucosa estomacal pode resistir ao suco, ao contrário dos alimentos e outros tecidos do organismo.

Depois que o estômago verte os alimentos e seu suco no intestino delgado, os sucos de dois outros órgãos se misturam com eles para continuar o processo. Um desses órgãos é o pâncreas, cujo suco contém um grande número de enzimas que decompõem os hidratos de carbono, as gorduras e as proteínas dos alimentos. Outras enzimas que participam no processo provêm de glândulas da parede intestinal.

O fígado produz a bile, outro suco digestivo, que é armazenada na vesícula biliar. Quando comemos, a bile sai da vesícula pelas vias biliares para o intestino e se mistura com a gordura dos alimentos. Os ácidos biliares dissolvem as gorduras no conteúdo aquoso do intestino. Depois que as gorduras são dissolvidas, as enzimas do pâncreas e da mucosa intestinal as digerem.

Absorção e transporte dos nutrientes

As moléculas digeridas dos alimentos e a água e minerais provenientes da dieta são absorvidos na parte superior do intestino delgado. Os materiais absorvidos atravessam a mucosa e passam ao sangue, que os distribui a outras partes do corpo para armazenamento ou para que passem por outras modificações químicas. Como dito antes, esta parte do processo varia de acordo com o tipo de nutriente.

Hidratos de carbono - um adulto consome cerca de 200 gramas de carboidratos ao dia. Alguns de nossos alimentos mais comuns, como pão, batatas, doces, arroz, massas, frutas e verduras, contêm principalmente hidratos de carbono. Muitos deles contêm ao mesmo tempo amido, que é digerível, e fibra, que não é.

Os hidratos de carbono digeríveis se decompõem em moléculas mais simples pela ação das enzimas salivares, do suco pancreático e da mucosa intestinal. O amido se digere em duas etapas: primeiro, uma enzima da saliva e do suco pancreático o transforma em moléculas de maltose; a seguir, a maltase, uma enzima da mucosa do intestino delgado, divide a maltose em moléculas de glicose que podem ser absorvidas ao sangue. A glicose vai pela corrente sanguínea ao fígado, onde é armazenada ou utilizada como fonte de energia.

O açúcar comum é outro carboidrato que deve ser digerido para que seja útil. Uma enzimas da mucosa do intestino delgado digere o açúcar comum e o converte em glicose e frutose, cada uma das quais podendo ser absorvida. O leite contém lactose, outro tipo de açúcar que se transforma em moléculas facilmente absorvidas mediante a ação de uma enzima chamada lactase, que se encontra na mucosa intestinal.

Proteínas - os alimentos como carne, ovos e feijão estão formados por moléculas enormes de proteínas que devem ser digeridas por enzimas antes que possamser usadas para fabricar e reparar os tecidos do corpo. Uma enzima do suco gástrico começa a digestão das proteínas que comemos. O processo termina no intestino delgado. Ali, várias enzimas do suco pancreático e da mucosa intestinal decompõem as grandes moléculas em outras muito menores, chamadas aminoácidos. Estes podem ser absorvidos no intestino delgado e passar ao sangue, que os leva a todas as partes do corpo para fabricar as paredes celulares e outros componentes das células.

Gorduras - as moléculas de gordura são importante fonte de energia para o corpo. O primeiro passo na digestão de uma gordura como a manteiga é sua dissolução no conteúdo aquoso do intestino. Os ácidos biliares produzidos pelo fígado atuam como detergentes naturais que dissolvem as gorduras em água e permitem que as enzimas decomponham suas grandes moléculas em outras muito menores, sendo exemplos os ácidos graxos e o colesterol. Os ácidos biliares se unem aos ácidos graxos e ao colesterol e os ajudam a passar ao interior das células da mucosa. Nelas, as moléculas pequenas voltam a formar moléculas maiores, a maioria das quais passando aos vasos linfáticos próximos ao intestino. Estes vasos levam as gorduras modificadas às veias do tórax e o sangue as transporta aos locais de depósito em diferentes partes do corpo.

Vitaminas - outros integrantes fundamentais dos nossos alimentos que são absorvidas no intestino delgado são as vitaminas. Estas substâncias químicas se agrupam em duas classes, de acordo com o líquido em que se dissolvem: hidrossolúveis (todas as vitaminas do complexo B e a vitamina C) e lipossolúveis (A, D, E e K).

Água e sal - A maioria do material que é absorvido do intestino delgado é água, na qual há sal dissolvido. A água e o sal vêm dos alimentos e líquidos que consumimos e dos sucos que as glândulas digestivas secretam. O intestino de um adulto saudável absorve mais de 4 litros de água com mais de 30 gramas de sal a cada 24 horas.

Como se regula a digestão?

Reguladores hormonais

Uma característica fascinante do aparelho digestivo é que ele possui seus próprios reguladores. Os principais hormônios que controlam as funções do aparelho digestivo são produzidos e liberados a partir de células da mucosa do estômago e do intestino delgado. Estes hormônios passam ao sangue que perfunde o aparelho digestivo, vão até o coração, circulam pelas artérias e regressam ao aparelho digestivo, onde estimulam a produção de sucos digestivos e provocam o movimento dos órgãos.

Os hormônios que controlam a digestão são a gastrina, a secretina e colecistocinina.

- A gastrina faz com que o estômago produza ácido que dissolve e digere alguns alimentos. Também é necessária para o crescimento normal da mucosa do estômago, intestino delgado e cólon.
- A secretina faz com que o pâncreas secrete um suco digestivo rico em bicarbonato. Estimula o estômago a produzir pepsina, uma enzima que digere as proteínas, e o fígado para que produza bile.
- A colecistocinina faz com que o pâncreas se desenvolva e produza as enzimas do suco pancreático e faz com que a vesícula biliar se esvazie.

Reguladores nervosos

Duas classes de nervos ajudam a controlar o trabalho do aparelho digestivo. Os nervos extrínsecos (de fora) chegam aos órgãos digestivos desde o cérebro ou medula espinhal e provocam a liberação de duas substâncias químicas: a acetilcolina e a adrenalina. A acetilcolina faz com que os músculos dos órgãos digestivos se contraiam com mais força e empurrem melhor os alimentos e líquidos através do trato digestivo. Também faz com que o estômago e o pâncreas produzam mais sucos. A adrenalina relaxa o músculo do estômago e dos intestinos e diminui o fluxo de sangue que chega a estes órgãos.

Os nervos intrínsecos (de dentro), que formam uma densa rede incrustada nas paredes do tubo digestivo, são ainda mais importantes. A ação destes nervos se desencadeia quando as paredes dos órgãos ocos se distendem com a presença dos alimentos. Liberam muitas substâncias diferentes que aceleram ou retardam o movimento dos alimentos e a produção dos sucos nos órgãos digestivos.